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O Projeto

“Mulheres de Farda” surgiu como um trabalho do 7º período do curso de Comunicação Social – Cinema e Vídeo da UNA. O documentário foi apresentado em sala de aula porém, devido ao pouco tempo disponível para a conclusão do mesmo, a edição ainda não ficou à altura do potencial do material que havíamos capturado. Logo em seguida ocorreu mais um problema técnico e perdemos toda a edição anterior. =/

Nossa meta agora é fazer uma nova edição dos vídeos e disponibilizar online, aqui no blog, para você! Estamos ansiosíssimos para revelar o cotidiano destas mulheres guerreiras, fortes e sensíveis que são o coração das instituições militares e policiais!

Mulheres de Farda

Mulheres de Farda são diferentes, atraentes, misteriosas. Apesar deste olhar inicial que votamos a elas ser bem clichê, procuramos ir além. Desejamos despojar as fardas das mulheres militares para descobrir o que há por trás de suas roupas: são mulheres, mas são comuns? O cotidiano delas envolve assuntos, posturas e dificuldades diferentes do cotidiano de quaisquer outras mulheres em profissões não-militares. O que difere umas das outras? Elas têm as mesmas expectativas quanto à formação de uma família e a geração de filhos? Quais são os riscos da carreira nos planos de vida destas mulheres, às vezes armadas? Nossa proposta é descobrir exatamente o que acontece no cotidiano das Mulheres de Farda. Quanto de seu uniforme elas estarão permitidas ou dispostas a se despojar para nos revelarem os mistérios de suas diferenças? Quantas semelhanças descobriremos entre estas e todas as outras mulheres? Quantos desejos? Quantas ambições? Quanta feminilidade? Mulheres de Farda podem ser interessantíssimas, mas elas ainda são mais do que o que representa a farda que vestem.

Gravações – Primeiros depoimentos

Começamos a gravar o documentário na semana anterior. Os primeiros depoimentos foram da Major Mária e da Sargento Raquel. Elas conversaram conosco sobre a profissão militar e a vida particular, além de compartilhatrem algumas impressões sobre as questões femininas. Sempre simpáticas e solícitas, nos levaram a um auditório cheio de quadros de Coronéis da Polícia Militar para que pudéssemos gravar os depoimentos com tranquilidade.
A ansiedade antes de encontrarmos com elas era enorme. Mesmo tendo ocorrido um primeiro contato para a apresentação da proposta, dias atrás, a expectativa do primeiro dia de gravação foi muito grande. Tudo correu muito bem. O Léo, responsável pelo som e câmera, fez planos de detalhe da locação enquanto aguardávamos a Major e a Sargento. Eu e Bruna acertávamos pormenores da abordagem enquanto isso.
Os depoimentos foram muito enriquecedores e todos ficamos muito satisfeitos com o resultado. Apresentamos uma pequena amostra do material bruto para a professora Maria de Fátima na sexta-feira, já com algumas partes do som tratadas pelo Léo. Nossa produtora, Leila, não pôde comparecer, pois estava viajando a trabalho, atuando em um filme. Vida de cineasta não é mole! A correria come solta! Mas trabalhar com projetos interessantes, como este documentário, e conhecer pessoas inteligentes e gentis, como nossas personagens, certamente torna nossa vida melhor. 🙂

Documentando

Até mesmo as pessoas que nunca fizeram um documentário, ou estudaram sobre isso, imaginam as dificuldades que os realizadores têm de encontrar personagens e conseguir a permissão dos mesmos para cederem imagens de suas vidas. Estamos neste processo de encontros, negociações, acordos e autorizações. Amanhã ocorrerá um passo importantíssimo: Temos hora marcada com a Major Máira, uma das nossas prováveis personagens,  para discutirmos as possibilidades de nossa proposta.

A preparação para este tipo de encontro é fundamental. Estamos revendo os documentos escritos, a carta de apresentação, o cronograma e tudo o que for necessário para que nosso encontro seja o mais esclarecedor e produtivo possível. É importantíssimo estar com todas estas etapas estruturadas para viabilizarmos o andamento de nosso projeto, além de pontuar o profissionalismo existente neste trabalho, ainda que ele esteja sendo realizado com propósitos acadêmicos.

Aguardem nossas impressões da entrevista e o próximo passo do documentário “Mulheres de Farda”.

Diário de Campo e convite

Utilizaremos este espaço também para expormos um pouco da trajetória de se fazer um documentário, inclusive nossas idas à campo para preparar as filmagens, contactar as personagens e estabelecer nossa preparação. Ao longo deste processo, acrescentaremos as informações teóricas e de planejamento, muito úteis para a concretização da proposta.
Os primeiros contatos já foram estabelecidos. Temos duas prováveis personagens, vizinhas da Bruna, que estão dispostas e disponíveis para participar do documentário, mas aguardam a autorização da corporação para alguns aspectos e imagens que gostaríamos de abordar. Além destas duas personagens, estamos contactando as assessorias de imprensa dos Bombeiros, Polícias, Exército e Aeronáutica, em busca de mais personagens e de autorização para delimitarmos nossas possibilidades reais. 
Se, por acaso, você que nos lê for uma “Mulher de Farda” e quiser contribuir com nosso projeto de documentário, mesmo que seja apenas contando histórias e propondo perspectivas novas, entre em contato conosco através do email tickibera-cinema@yahoo.com.br ou através deste blog. Será muito útil ouvir vocês para complementarmos a proposta e, desse modo, representarmos melhor o que é ser uma mulher militar.

Eleição e Descrição dos Objetos

  • Mulheres militares
    • As mulheres que vestem farda serão nosso “objeto” principal. Independente da especificidade de cada carreira que estas mulheres sigam (Polícia, Bombeiros, Aeronáutica, Marinha, etc.), todas têm em comum a profissão militar e os preconceitos e particularidades que esta profissão acarreta.

  • Identidade
    • Como se dá a relação com o medo, a coragem e os reflexos psicológicos da profissão? Eles também refletem nas outras relações que não sejam profissionais?
    • Como elas se caracterizam quando estão sem farda? Elas se divertem? Têm vícios? Como lidam se e quando infringem alguma lei (como fumar em local proibido, ou levar uma multa, por exemplo)?
    • Como elas justificam a escolha por esta profissão? Elas estão satisfeitas e se sentem realizadas? As expectativas antes de começarem a atuar na carreira militar se comprovaram? Quais eram estas expectativas?
  • A casa destas mulheres

    • · Para sermos capazes de aprofundar no cotidiano das mulheres de farda, é preciso que tenhamos acesso às suas moradias; local onde a individualidade se revela mais facilmente, até mesmo por causa da ausência da responsabilidade que a farda carrega. Elas são capazes de “deixar o trabalho de lado” e agir com menos rigidez e autoridade, características predominantes na profissão?
  • O ambiente de trabalho

    • · É necessário também investigarmos o ambiente profissional destas mulheres, já que este é o lugar onde elas estão uniformizadas e em atuação profissional. Neste ambiente, como são as relações de poder e hierarquia? Existem preconceitos e discriminação com elas?
    • As ruas são outro lugar em que estas mulheres trabalham e estão mais expostas aos riscos da profissão. O nosso acesso a mulheres militares neste local, provavelmente, será mais fácil do que acreditamos ser nos quartéis? Em relação às suas posturas e restrições éticas, haverá mais disponibilidade para que elas nos revelem seu cotidiano?
  • A população em geral
    • No ambiente público, um objeto interessante para abordarmos é a população. Como reagem as pessoas ao serem abordadas por militares femininas? Há respeito? As pessoas são mais amigáveis ao tratarem com mulheres? E a abordagem delas, difere em algo das dos homens?

Proposta Documental

A proposta de abordagem documental de “Mulheres de Farda” é pautada principalmente no método interacional, já que temos intenção de, além de observar o cotidiano das mulheres militares, perguntar diretamente a elas sobre algumas das questões abordadas na Visão Original do projeto. 
Quanto aos aspectos audiovisuais, pretendemos realizar uma montagem que desconstrua o clichê da imagem de uma mulher de uniforme em sua forma mais comum – o fetiche -, possibilitando ao espectador uma experiência de olhar mais profundo sobre as mulheres que trabalham na carreira militar. Como faremos isso? Nos momentos iniciais do documentário, mostraremos apenas a superficialidade da farda: o trabalho nas ruas, as reações e ações dos passantes ao se depararem com uma mulher uniformizada, entre outras situações possíveis de serem observadas por qualquer pessoa. Podemos também mostrar a atuação destas mulheres na profissão, mas ainda sob um aspecto superficial, condizente com o senso comum. 
Após esta primeira contextualização na visão clichê das mulheres fardadas, continuaremos a montagem das imagens, com a participação mais efetiva delas. Suas tarefas, atitudes, conversas. Detalhes, entre outros, que nos proporcionam aprofundar um pouco mais a visão comum e alcançar os vestígios imagéticos de suas personalidades, feminilidade e anseios. É neste momento que começa o processo de interação com as atrizes sociais do nosso documentário. As nossas dúvidas, curiosidades, considerações, serão colocadas em pauta para que elas mesmas possam nos mostrar como a visão comum pode ser modificada. Como elas gostariam de ser vistas, além do fetiche da farda? Se é isto o que as identifica como pertencentes a uma profissão de maioria masculina, quais são as situações, atitudes, características e adereços que elas terão para nos mostrar a sutileza que têm mesmo em uma profissão que pressupõe que elas sejam “duronas”? Neste sentido, intentamos deixar que elas também participem efetivamente do processo de darmos voz ao feminino por trás das fardas. 
Existem aspectos da imagem que não podemos definir ainda, posto que não sabemos o que nos será permitido gravar. Ainda assim, é importantíssimo que tenhamos estas diretrizes do processo de gravação para que não nos percamos. Uma sugestão interessante que tivemos na equipe foi a da capacitação de todos os integrantes para a operação da câmera, assim poderíamos trabalhar durante mais tempo, de acordo com a disponibilidade de cada um e com uma equipe de menor número. É algo que está em consideração, mas bastante viável e adequado à proposta documental.

Visão Original

Mulheres de Farda são diferentes, atraentes, misteriosas. Apesar deste olhar inicial que votamos a elas ser bem clichê, procuramos ir além. Desejamos despojar as fardas das mulheres militares para descobrir o que há por trás de suas roupas: são mulheres, mas são comuns? O cotidiano delas envolve assuntos, posturas e dificuldades diferentes do cotidiano de quaisquer outras mulheres em profissões não-militares. O que difere umas das outras? Elas têm as mesmas expectativas quanto à formação de uma família e a geração de filhos? Quais são os riscos da carreira nos planos de vida destas mulheres, às vezes armadas? Nossa proposta é descobrir exatamente o que acontece no cotidiano das Mulheres de Farda. Quanto de seu uniforme elas estarão permitidas ou dispostas a se despojar para nos revelarem os mistérios de suas diferenças? Quantas semelhanças descobriremos entre estas e todas as outras mulheres? Quantos desejos? Quantas ambições? Quanta feminilidade? Mulheres de Farda podem ser interessantíssimas, mas elas ainda são mais do que o que representa a farda que vestem.