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O Projeto

“Mulheres de Farda” surgiu como um trabalho do 7º período do curso de Comunicação Social – Cinema e Vídeo da UNA. O documentário foi apresentado em sala de aula porém, devido ao pouco tempo disponível para a conclusão do mesmo, a edição ainda não ficou à altura do potencial do material que havíamos capturado. Logo em seguida ocorreu mais um problema técnico e perdemos toda a edição anterior. =/

Nossa meta agora é fazer uma nova edição dos vídeos e disponibilizar online, aqui no blog, para você! Estamos ansiosíssimos para revelar o cotidiano destas mulheres guerreiras, fortes e sensíveis que são o coração das instituições militares e policiais!

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Gravações – Primeiros depoimentos

Começamos a gravar o documentário na semana anterior. Os primeiros depoimentos foram da Major Mária e da Sargento Raquel. Elas conversaram conosco sobre a profissão militar e a vida particular, além de compartilhatrem algumas impressões sobre as questões femininas. Sempre simpáticas e solícitas, nos levaram a um auditório cheio de quadros de Coronéis da Polícia Militar para que pudéssemos gravar os depoimentos com tranquilidade.
A ansiedade antes de encontrarmos com elas era enorme. Mesmo tendo ocorrido um primeiro contato para a apresentação da proposta, dias atrás, a expectativa do primeiro dia de gravação foi muito grande. Tudo correu muito bem. O Léo, responsável pelo som e câmera, fez planos de detalhe da locação enquanto aguardávamos a Major e a Sargento. Eu e Bruna acertávamos pormenores da abordagem enquanto isso.
Os depoimentos foram muito enriquecedores e todos ficamos muito satisfeitos com o resultado. Apresentamos uma pequena amostra do material bruto para a professora Maria de Fátima na sexta-feira, já com algumas partes do som tratadas pelo Léo. Nossa produtora, Leila, não pôde comparecer, pois estava viajando a trabalho, atuando em um filme. Vida de cineasta não é mole! A correria come solta! Mas trabalhar com projetos interessantes, como este documentário, e conhecer pessoas inteligentes e gentis, como nossas personagens, certamente torna nossa vida melhor. 🙂

Documentando

Até mesmo as pessoas que nunca fizeram um documentário, ou estudaram sobre isso, imaginam as dificuldades que os realizadores têm de encontrar personagens e conseguir a permissão dos mesmos para cederem imagens de suas vidas. Estamos neste processo de encontros, negociações, acordos e autorizações. Amanhã ocorrerá um passo importantíssimo: Temos hora marcada com a Major Máira, uma das nossas prováveis personagens,  para discutirmos as possibilidades de nossa proposta.

A preparação para este tipo de encontro é fundamental. Estamos revendo os documentos escritos, a carta de apresentação, o cronograma e tudo o que for necessário para que nosso encontro seja o mais esclarecedor e produtivo possível. É importantíssimo estar com todas estas etapas estruturadas para viabilizarmos o andamento de nosso projeto, além de pontuar o profissionalismo existente neste trabalho, ainda que ele esteja sendo realizado com propósitos acadêmicos.

Aguardem nossas impressões da entrevista e o próximo passo do documentário “Mulheres de Farda”.

Diário de Campo e convite

Utilizaremos este espaço também para expormos um pouco da trajetória de se fazer um documentário, inclusive nossas idas à campo para preparar as filmagens, contactar as personagens e estabelecer nossa preparação. Ao longo deste processo, acrescentaremos as informações teóricas e de planejamento, muito úteis para a concretização da proposta.
Os primeiros contatos já foram estabelecidos. Temos duas prováveis personagens, vizinhas da Bruna, que estão dispostas e disponíveis para participar do documentário, mas aguardam a autorização da corporação para alguns aspectos e imagens que gostaríamos de abordar. Além destas duas personagens, estamos contactando as assessorias de imprensa dos Bombeiros, Polícias, Exército e Aeronáutica, em busca de mais personagens e de autorização para delimitarmos nossas possibilidades reais. 
Se, por acaso, você que nos lê for uma “Mulher de Farda” e quiser contribuir com nosso projeto de documentário, mesmo que seja apenas contando histórias e propondo perspectivas novas, entre em contato conosco através do email tickibera-cinema@yahoo.com.br ou através deste blog. Será muito útil ouvir vocês para complementarmos a proposta e, desse modo, representarmos melhor o que é ser uma mulher militar.

Estratégias de Abordagem

  • Com as mulheres
    • Entraremos em contato com mulheres militares que já são conhecidas dos integrantes do grupo. Elas serão nosso principal objeto, devido à possibilidade maior de abertura por já serem conhecidas. Além disto, procuraremos outras mulheres que também são militares e que gostariam de participar de nossa proposta. Podemos verificar se outras pessoas que conhecemos têm indicações de mulheres que trabalham na carreira e também procurarmos indicações através das assessorias de imprensa destes setores em Belo Horizonte. A abordagem será sutil e o mais clara possível para que as mulheres entendam exatamente o que pretendemos fazer e nos informem sobre o quanto querem e podem colaborar. Mesmo que algumas destas mulheres não estejam dispostas a nos deixarem filmar o seu cotidiano, a conversa com elas será material extremamente útil para o direcionamento do documentário e o esclarecimento de algumas das dúvidas e curiosidades que nos moveram a este processo de conhecimento.

  • Sobre as identidades destas mulheres
    • Após encontrarmos a abertura necessária para iniciar o trabalho com algumas militares, vamos verificar também o quanto elas estão dispostas a compartilhar conosco informações que compõem e caracterizam sua identidade, bem como suas particularidades psicológicas e atividades cotidianas. Neste momento haverá um aprofundamento sobre o que elas permitirem que mostremos de suas vidas. Devemos ser ainda mais sutis e respeitosos, pois se trata da esfera privada destas pessoas. Portanto, estaremos preparados com perguntas e propostas de filmagem claras e específicas que deverão ser adequadas à realidade e disponibilidade de cada uma das mulheres que participarem do projeto. Estaremos abertos à algumas sugestões e anseios sobre algo que elas queiram revelar que possivelmente não havíamos pensado anteriormente.

  • A casa delas
    • Ainda na esfera privada, deixaremos clara a intenção de conhecermos suas casas, como forma de extrapolar a caracterização do uniforme e do trabalho. Neste momento, é possível que encontremos outras pessoas que convivem com elas, com as quais nós não tivemos contato e não sabemos a disponibilidade para aparecer no documentário e revelarem coisas das relações com aquelas mulheres que fazem parte da vida destas outras pessoas. É muito provável que acabemos tendo contato com as famílias das militares neste momento, o que também devemos questionar a elas sobre a permissão delas e destas pessoas para que participem do projeto. Devemos estar preparados para as rejeições, dificuldades e impossibilidades, negociando os limites do que e do quanto será mostrado dessa vida mais particular, de modo a respeitar a privacidade e garantir que a segurança delas não seja afetada com a exposição que daremos a elas através da filmagem.

  • O ambiente de trabalho
    • Imaginamos que este seja o local mais delicado de trabalharmos, vistas as regras e limitações que as próprias organizações militares devem ter quanto à exposição de sua estrutura e funcionários. Para que possamos estabelecer os limites reais de possibilidade de trabalho com o projeto, dentro destes locais, entraremos em contato com a assessoria de imprensa dos mesmos, de forma a receber orientações e direcionamentos. Neste contato, talvez descubramos outras personagens para a nossa proposta, e iremos verificar também a sua disponibilidade para colaborar individualmente e não apenas nas indicações sobre a organização. Por se tratar de ambiente com limitações possivelmente maiores, deveremos exercitar a nossa negociação com diplomacia, sempre respeitando as condições exigidas para o nosso trabalho, mas procurando também esclarecer os pontos que talvez tenham ficados obscuros na nossa proposta, de forma a tentar conseguir uma maior abertura e abrangência para recolhermos nosso material audiovisual.

  • O trabalho nas ruas e a população em geral 
    • Nas ruas, espaço público, as limitações são menores, mas a abertura das pessoas talvez não seja tão fácil, devido ao seu maior número. Devemos tomar cuidado com a atenção excessiva sobre os equipamentos e a equipe de gravação, de modo a interferir o mínimo possível no trabalho de nossas personagens. Além disto, devemos ser cuidadosos ao abordar os pedestres e passantes, esclarecendo o suficiente para que saibam do que se trata a proposta e decidam ou não colaborar. São pessoas importantes para a construção da imagem (in)comum das mulheres militares, mas devemos lembrar a todo o momento que o nosso foco de trabalho e nossa maior preocupação deve ser com elas.

Visão Original

Mulheres de Farda são diferentes, atraentes, misteriosas. Apesar deste olhar inicial que votamos a elas ser bem clichê, procuramos ir além. Desejamos despojar as fardas das mulheres militares para descobrir o que há por trás de suas roupas: são mulheres, mas são comuns? O cotidiano delas envolve assuntos, posturas e dificuldades diferentes do cotidiano de quaisquer outras mulheres em profissões não-militares. O que difere umas das outras? Elas têm as mesmas expectativas quanto à formação de uma família e a geração de filhos? Quais são os riscos da carreira nos planos de vida destas mulheres, às vezes armadas? Nossa proposta é descobrir exatamente o que acontece no cotidiano das Mulheres de Farda. Quanto de seu uniforme elas estarão permitidas ou dispostas a se despojar para nos revelarem os mistérios de suas diferenças? Quantas semelhanças descobriremos entre estas e todas as outras mulheres? Quantos desejos? Quantas ambições? Quanta feminilidade? Mulheres de Farda podem ser interessantíssimas, mas elas ainda são mais do que o que representa a farda que vestem.