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Documentando

Até mesmo as pessoas que nunca fizeram um documentário, ou estudaram sobre isso, imaginam as dificuldades que os realizadores têm de encontrar personagens e conseguir a permissão dos mesmos para cederem imagens de suas vidas. Estamos neste processo de encontros, negociações, acordos e autorizações. Amanhã ocorrerá um passo importantíssimo: Temos hora marcada com a Major Máira, uma das nossas prováveis personagens,  para discutirmos as possibilidades de nossa proposta.

A preparação para este tipo de encontro é fundamental. Estamos revendo os documentos escritos, a carta de apresentação, o cronograma e tudo o que for necessário para que nosso encontro seja o mais esclarecedor e produtivo possível. É importantíssimo estar com todas estas etapas estruturadas para viabilizarmos o andamento de nosso projeto, além de pontuar o profissionalismo existente neste trabalho, ainda que ele esteja sendo realizado com propósitos acadêmicos.

Aguardem nossas impressões da entrevista e o próximo passo do documentário “Mulheres de Farda”.

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Eleição e Descrição dos Objetos

  • Mulheres militares
    • As mulheres que vestem farda serão nosso “objeto” principal. Independente da especificidade de cada carreira que estas mulheres sigam (Polícia, Bombeiros, Aeronáutica, Marinha, etc.), todas têm em comum a profissão militar e os preconceitos e particularidades que esta profissão acarreta.

  • Identidade
    • Como se dá a relação com o medo, a coragem e os reflexos psicológicos da profissão? Eles também refletem nas outras relações que não sejam profissionais?
    • Como elas se caracterizam quando estão sem farda? Elas se divertem? Têm vícios? Como lidam se e quando infringem alguma lei (como fumar em local proibido, ou levar uma multa, por exemplo)?
    • Como elas justificam a escolha por esta profissão? Elas estão satisfeitas e se sentem realizadas? As expectativas antes de começarem a atuar na carreira militar se comprovaram? Quais eram estas expectativas?
  • A casa destas mulheres

    • · Para sermos capazes de aprofundar no cotidiano das mulheres de farda, é preciso que tenhamos acesso às suas moradias; local onde a individualidade se revela mais facilmente, até mesmo por causa da ausência da responsabilidade que a farda carrega. Elas são capazes de “deixar o trabalho de lado” e agir com menos rigidez e autoridade, características predominantes na profissão?
  • O ambiente de trabalho

    • · É necessário também investigarmos o ambiente profissional destas mulheres, já que este é o lugar onde elas estão uniformizadas e em atuação profissional. Neste ambiente, como são as relações de poder e hierarquia? Existem preconceitos e discriminação com elas?
    • As ruas são outro lugar em que estas mulheres trabalham e estão mais expostas aos riscos da profissão. O nosso acesso a mulheres militares neste local, provavelmente, será mais fácil do que acreditamos ser nos quartéis? Em relação às suas posturas e restrições éticas, haverá mais disponibilidade para que elas nos revelem seu cotidiano?
  • A população em geral
    • No ambiente público, um objeto interessante para abordarmos é a população. Como reagem as pessoas ao serem abordadas por militares femininas? Há respeito? As pessoas são mais amigáveis ao tratarem com mulheres? E a abordagem delas, difere em algo das dos homens?

Proposta Documental

A proposta de abordagem documental de “Mulheres de Farda” é pautada principalmente no método interacional, já que temos intenção de, além de observar o cotidiano das mulheres militares, perguntar diretamente a elas sobre algumas das questões abordadas na Visão Original do projeto. 
Quanto aos aspectos audiovisuais, pretendemos realizar uma montagem que desconstrua o clichê da imagem de uma mulher de uniforme em sua forma mais comum – o fetiche -, possibilitando ao espectador uma experiência de olhar mais profundo sobre as mulheres que trabalham na carreira militar. Como faremos isso? Nos momentos iniciais do documentário, mostraremos apenas a superficialidade da farda: o trabalho nas ruas, as reações e ações dos passantes ao se depararem com uma mulher uniformizada, entre outras situações possíveis de serem observadas por qualquer pessoa. Podemos também mostrar a atuação destas mulheres na profissão, mas ainda sob um aspecto superficial, condizente com o senso comum. 
Após esta primeira contextualização na visão clichê das mulheres fardadas, continuaremos a montagem das imagens, com a participação mais efetiva delas. Suas tarefas, atitudes, conversas. Detalhes, entre outros, que nos proporcionam aprofundar um pouco mais a visão comum e alcançar os vestígios imagéticos de suas personalidades, feminilidade e anseios. É neste momento que começa o processo de interação com as atrizes sociais do nosso documentário. As nossas dúvidas, curiosidades, considerações, serão colocadas em pauta para que elas mesmas possam nos mostrar como a visão comum pode ser modificada. Como elas gostariam de ser vistas, além do fetiche da farda? Se é isto o que as identifica como pertencentes a uma profissão de maioria masculina, quais são as situações, atitudes, características e adereços que elas terão para nos mostrar a sutileza que têm mesmo em uma profissão que pressupõe que elas sejam “duronas”? Neste sentido, intentamos deixar que elas também participem efetivamente do processo de darmos voz ao feminino por trás das fardas. 
Existem aspectos da imagem que não podemos definir ainda, posto que não sabemos o que nos será permitido gravar. Ainda assim, é importantíssimo que tenhamos estas diretrizes do processo de gravação para que não nos percamos. Uma sugestão interessante que tivemos na equipe foi a da capacitação de todos os integrantes para a operação da câmera, assim poderíamos trabalhar durante mais tempo, de acordo com a disponibilidade de cada um e com uma equipe de menor número. É algo que está em consideração, mas bastante viável e adequado à proposta documental.